Café da manhã
Hoje, o café esfriou enquanto eu olhava a luz da manhã entrando pela janela.
E pela primeira vez em muito tempo, deixei que esfriasse.
Não corri. Não reaqueci. Apenas tomei assim mesmo —
morno, com gosto de silêncio.
O pão, quase queimado, saiu da torradeira com a borda mais dura que o costume.
Mas o som da crocância na primeira mordida me trouxe de volta para o corpo.
Não há muito o que esperar de um café da manhã.
E talvez seja esse o segredo
A vida não acontece nos grandes eventos.
Ela se derrama pelos cantos da casa,
pinga nas louças mal lavadas,
esconde-se no vapor do chuveiro,
e sorri no cheiro limpo de roupa seca no varal.
O instante, quando visto de perto, é suficiente.
Ele não precisa durar —
só pede presença.
Não é sobre viver intensamente,
é sobre viver atentamente.
O agora nunca foi rascunho.
Ele é a versão final de tudo.
O ontem já não existe.
O amanhã é só um talvez.
O que há é essa respiração que entra e sai.
Esse segundo em que escrevo esta palavra.
Esse breve momento em que nos encontramos aqui.
Seja inteiro nisso.
E se puder,
deixe o café esfriar um pouco amanhã também.
Autor: Dassi's Colares