top of page

 

 

 

Café da manhã

Hoje, o café esfriou enquanto eu olhava a luz da manhã entrando pela janela.
E pela primeira vez em muito tempo, deixei que esfriasse.
Não corri. Não reaqueci. Apenas tomei assim mesmo —
morno, com gosto de silêncio.

O pão, quase queimado, saiu da torradeira com a borda mais dura que o costume.

Mas o som da crocância na primeira mordida me trouxe de volta para o corpo.
Não há muito o que esperar de um café da manhã.
E talvez seja esse o segredo

 

A vida não acontece nos grandes eventos.
Ela se derrama pelos cantos da casa,
pinga nas louças mal lavadas,
esconde-se no vapor do chuveiro,
e sorri no cheiro limpo de roupa seca no varal.


O instante, quando visto de perto, é suficiente.
Ele não precisa durar —
só pede presença.


Não é sobre viver intensamente,
é sobre viver atentamente.


O agora nunca foi rascunho.
Ele é a versão final de tudo.

O ontem já não existe.
O amanhã é só um talvez.


O que há é essa respiração que entra e sai.
Esse segundo em que escrevo esta palavra.
Esse breve momento em que nos encontramos aqui.


Seja inteiro nisso.


E se puder,
deixe o café esfriar um pouco amanhã também.

Autor: Dassi's Colares

Direito Reservado Plínio Colares 2018

bottom of page